Eletrobras – Concede as primeiras etiquetas de eficiência energética residencial

A Casa Eficiente da Eletrobras Eletrosul (foto), em Florianópolis (SC), está entre os nove projetos certificados com as primeiras etiquetas de eficiência energética residencial, entregues no dia 29/11 pela Eletrobras e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) durante o lançamento da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia para residências e edifícios multifamiliares, realizado no Hotel Transamérica, em São Paulo.

Concedida dentro do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), a etiqueta para edificações tem o objetivo de ser uma ferramenta para o consumidor tomar a melhor decisão na hora de adquirir um imóvel, a exemplo do que acontece com os eletrodomésticos. A adesão é voluntária, mas a Eletrobras aposta no sucesso do programa como capaz de introduzir um novo conceito no mercado imobiliário brasileiro. “A população já entende a etiquetagem e as empresas da construção civil certamente vão querer obtê-la como um diferencial para o seu produto”, avalia o diretor de Tecnologia da Eletrobras, Ubirajara Rocha Meira.

Economia e sustentabilidade
Apenas com a adoção de tecnologias de eficientização já existentes é possível obter uma redução de até 40% da energia consumida nas residências brasileiras, segundo o presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Marcelo Takaoka. “Levando em consideração que o imóvel é, geralmente, o produto mais caro e duradouro que se adquire, o consumidor não deve se importar apenas com o custo da aquisição, mas com a economia obtida durante a vida útil da casa”, afirma. Para o executivo, ao longo dos anos, a economia de energia significa mais renda e também um compromisso com a sustentabilidade.

A ideia de conectar as pessoas aos conceitos de sustentabilidade por meio da eficientização das residências também foi reforçada pelo presidente do Inmetro, João Jornada. “O consumidor brasileiro é bastante sofisticado na busca por informações sobre seus direitos e consciente de suas responsabilidades ambientais. Prevemos um grande interesse e acreditamos que o programa vai decolar rápido, porque será um bom negócio para empreendedores e para os consumidores”, disse.

Todo mundo ganha
Atualmente, edificações residenciais, comerciais, de serviços e públicas representam quase 45% do consumo brasileiro de energia, sendo que as residências respondem por 15% desse total. A economia que pode ser obtida a partir da redução do consumo com imóveis planejados, construídos ou reformados de forma eficiente interessa também ao governo, pois significa mais disponibilidade de energia para o crescimento rápido do país.

A grande meta de planejamento energético do país é economizar 10% da demanda até 2030, de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia, apresentados pelo presidente do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), Paulo Leonelli. Ele ressalta que, para incentivar ainda mais os empreendedores, estão em fase de estudo melhores condições de financiamento tanto do BNDES quanto da Caixa Econômica Federal para empreendimentos etiquetados.

“A avaliação das edificações residenciais baseia-se em aspectos que apresentam consumo significativo de energia elétrica, ou seja, o desempenho térmico de fachadas e coberturas, com ênfase na iluminação e ventilação naturais, e na eficiência do sistema de aquecimento de água”, explica Solange Nogueira, gerente da Divisão de Eficiência Energética em Edificações da Eletrobras/Procel Edifica.

Metodologia
Para criar a etiqueta de eficiência energética residencial, o Inmetro selecionou diversas metodologias e combinou-as num processo sintetizado. A etapa seguinte foi a acreditação dos organismos de inspeção para emiti-las. Atualmente, o Laboratório de Eficiência Energética da Universidade de São Carlos (LabEEE), que colaborou no desenvolvimento dos Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edificações Residenciais (RTQ-R) é o único autorizado pelo instituto.

De acordo com Roberto Lamberts, supervisor do LabEEE, a metodologia de avaliação foi definida a partir de 150 mil simulações feitas para os diferentes climas brasileiros. Os critérios são diferentes para as oito regiões bioclimáticas do país. O engenheiro explica também que a etiquetagem está constituída de três índices, que avaliam o nível de eficiência do imóvel no verão, no inverno e o aquecimento de água. Há também um índice para avaliar o desempenho da edificação quando refrigerada artificialmente.

No caso de edifícios multifamiliares, cada unidade de apartamento terá etiqueta individual correspondente ao seu nível de eficiência energética e o prédio como um todo receberá sua própria etiqueta com o número de unidades por estágio de eficientização, que varia de “A” a “E”. Também serão avaliadas e receberão etiqueta as áreas de uso comum dos prédios.

Projetos certificados
As primeiras etiquetas de eficiência energética em edifícios residenciais foram entregues a:

Eletrobras Eletrosul, pela Casa Eficiente – Florianópolis (SC)
Parceria Finep, Caixa e Núcleo de Pesquisa em Construção da UFSC, por meio do Programa Habitare, pelo protótipo de habitação de interesse social – Florianópolis (SC)
Central de Crédito Rural com Interação Solidária, por duas residências – Chapecó (SC) e Frei Rogério (SC)
Construtora Sphera Quattro, pelo empreendimento multifamiliar Residencial SJ1 – São José (SC)
Empresa Cidade Pedra Branca, pelo empreendimento multifamiliar Travertino – Palhoça (SC)
Construtora Rossi, pelo empreendimento multifamiliar Condomínio Atlântida – Xangri-lá (RS)
Construtora Tecnisa, pelos empreendimentos multifamiliares Residencial Moai e Residencial Flex Guarulhos – São Paulo (SP) e Guarulhos (SP)

Fonte: Eletrobrás